Caravana passa por transtornos em viagem a Aparecida

Ônibus fica retido por irregularidades, o que atrasa a viagem de volta em cinco horas

Quem pensa que a vida de romeiro é fácil, está redondamente enganado. O romeiro, além da determinação para a viagem, ainda tem que estar espiritualmente preparado para qualquer imprevisto – o que costuma ser chamado de provação.

As dificuldades são bastante comuns no caso de um grande evento como as celebrações do Jubileu de Nossa Senhora Aparecida, cuja festa terminou no dia 12 de outubro. Entre as principais dificuldades dos romeiros estavam as filas, inclusive para a capela onde está a imagem original de Nossa Senhora Aparecida; dificuldade para obter informações sobre locais dos eventos e até achar uma vaga em hotel apenas para tomar um banho.

Agora, transtorno mesmo enfrentou uma caravana de Londrina. O pessoal viajou para Aparecida em um ônibus que não tinha nem cinto de segurança e nem ar condicionado, mas estes não foram motivos para reclamação.

O problema maior estaria na volta. Ficou combinado que os romeiros iriam embarcar às 18 horas para a viagem de retorno. E para surpresa, às 18:15 horas, o ônibus deixava o centro de Aparecida.

Após percorrer alguns quilômetros em uma estrada secundária, o ônibus passou por uma viatura do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) que estava estacionada perto da pista e, pelo jeito, fazia fiscalização por amostragem. Não se passaram nem dois minutos, e aquela mesma viatura se aproximou do ônibus, com a sirene ligada, mandando que o veículo parasse no acostamento.

Um fiscal entrou no ônibus e falou de algumas irregularidades. Ele disse que o ônibus não tinha autorização para o transporte interestadual e os condutores não estavam nem com a relação dos passageiros. Ainda segundo o fiscal, aquela situação colocava em risco a vida das pessoas.

Ele recolheu documentos de identidade de todos os passageiros e o ônibus foi escoltado até um posto da Polícia Rodoviária na via Dutra, a cerca de 30 quilômetros de Aparecida, onde o pessoal permaneceu por quase duas horas, até ser informado que o ônibus ficaria retido no local. Outro ônibus foi providenciado para levar o pessoal de volta para Aparecida, onde os romeiros iriam aguardar a chegada de um terceiro ônibus que os levaria de volta a Londrina.

Romeiros aguardam ônibus na rodoviária de Aparecida

A caravana foi levada para a rodoviária de Aparecida. Com o passar do tempo, algumas pessoas foram ficando nervosas com a demora, a falta de contato e a falta de definição sobre a viagem de volta. As pessoas se acomodavam na medida do possível: algumas ocupavam os bancos no interior da rodoviária e outras as calçadas junto às plataformas de embarque. Havia até mulheres com crianças pequenas.

Finalmente, por volta das 23:30 horas, apareceu o ônibus que lavaria o pessoal de volta, não diretamente a Londrina, mas somente até São Paulo, onde estaria o segundo ônibus da empresa que trouxe os peregrinos até Aparecida.

O ônibus, bem mais confortável, chegou a um posto de combustível nas proximidades de São Paulo depois das três da manhã, onde já estava o outro ônibus que iria levar o pessoal de volta até Londrina. Era um ônibus um pouco melhor que o primeiro.

O embarque para Londrina não representava, porém, o fim da história. Já no Paraná, no km 41 da BR 369, estourou um pneu do eixo de apoio do ônibus, o que causou um grande susto no pessoal. Alguns, dominados pelo cansaço, estavam dormindo naquele momento.

Pneu do ônibus estoura no km 41 da BR 369, no Paraná

O estouro aconteceu às 8:15 horas. Para piorar um pouco mais, não havia pneu estepe – o pneu reserva. Os condutores foram até a cidade de Andirá, onde providenciaram o novo pneu. O ônibus parou perto de uma plantação de bananas e algumas pessoas pegaram algumas frutas maduras para comer.

Uma guia da empresa de transporte pediu desculpas aos passageiros pelos transtornos causados. E apesar de tudo, todos demonstraram alívio assim que terminou a viagem.